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2018-05-09

Concurso Ciclo Verde ARLANXEO colhe frutos

Projeto de horta comunitária une alunos, professores, pais e toda a comunidade de Duque de Caxias, na região da Baixada Fluminense

Duque de Caxias -

Há cerca de um ano, a fabricante de borracha sintética ARLANXEO, instalada no complexo industrial de Duque de Caxias, abriu as inscrições para o concurso Ciclo Verde ARLANXEO, programa de sustentabilidade da empresa por meio do qual apoia projetos ambientais do entorno das comunidades em que está inserida (além do Rio de Janeiro, a empresa tem fabricas também em Pernambuco e Rio Grande do Sul).

Na ocasião, um dos projetos vencedores foi o da escola municipal Dr. Manoel Reis, denominado “Um Cantinho Verde Pra Chamar de Nosso”, cuja proposta era captar recursos para pequenas reformas como pintura das paredes e apoio técnico para usar espaços verticais para cultivar verduras, legumes e temperos. Contudo, o projeto ganhou uma dimensão muito maior do que poderia ser imaginada pela diretora da escola, Marize Nunes Moreno Godinho. Isto porque a ideia de alimentação saudável se estendeu para todo o conteúdo programático da grade curricular, teve adesão total dos alunos, desde a pré-escola até o quinto ano e engajamento de pais, professores, funcionários e demais moradores da comunidade de Caxias.

Ubiratan Sá, gerente da fábrica da ARLANXEO em Caxias, ficou muito satisfeito com resultado do projeto. “É uma honra, representando a empresa, ajudar a colocar a essa ideia sustentável em prática”, disse.

A diretora Marize conta que a ideia do “Um Cantinho Verde Pra Chamar de Nosso” promoveu uma pequena revolução. Além de tornar a escola mais aconchegante e viva, o projeto mobilizou também outros todo os parentes das crianças. “Estamos inseridos numa comunidade carente e a escola acaba suprindo, além das necessidades de formação, também as nutricionais. Peixe, por exemplo, é algo que na merenda tem pouca aceitação, mas inserimos mesmo assim. A ideia é que eles conheçam. Estar aberto ao novo é muito importante. Nosso objetivo é diminuir o consumo dos alimentos industrializados. Descascar mais, desembalar menos é mais saudável e mais barato do que se imagina”, assegura Marize. Dona Eunice Maria da Silva, 64 anos, avó da aluna Lídia de Almeida Pereira Barbosa, de 10 anos, diz que a neta está comendo bem melhor desde que começou o projeto na escola. “Ela passou a comer verduras e legumes, sem fazer careta. Antes, ela só comia se eu escondesse e misturasse o caldo de legumes no arroz. Agora está até pedindo para eu fazer quiabo.  Essa escola é uma benção. Tem muito amor pelas crianças”, diz dona Eunice. 

Outro ponto muito positivo, destacado pela diretora, é que projeto ajudou a melhorar a frequência escolar dos alunos mais velhos. “Eles estão tão envolvidos com o que estão fazendo que hoje não é mais necessário “laçá-los” para as aulas, agora são assíduos. Temos uma turma remanejada, que antes não tinha nenhuma ordem. Alguns viveram situações de risco, têm histórias de vidas complicadas. Eles foram aderindo aos poucos e agora estão totalmente engajados. Me emocionei muito em vê-los no dia da inauguração da horta cantando uma produção. Enxergá-los vê-los dentro desse processo de resgate é muito gratificante. Vai muito além da alimentação saudável e do contato com a leitura e com a escrita”, avalia Marize.

As tias Alzira e Angela, da pré-escola 1, contam que para introduzir o conceito da alimentação saudável na didática com as crianças de quatro anos, tiveram a ideia de adaptar o conto da Chapeuzinho Vermelho. “Em vez de levar uma cesta cheia de doces e guloseimas para vovozinha, no nosso conto moderno a Chapeuzinho leva frutas e bolo feito com casca de banana”, brinca Alzira Maria Mendes da Silva Dantas. Em sala de aula, as duas tias Marias, como elas brincam, fizeram salada de frutas e falaram de frutas com as quais as crianças não estão acostumadas. “Com isto trabalhamos o olfato, o paladar, as cores. Foi muito interessante”, diz Angela.

Em fevereiro deste ano, em mutirão, pais, professores e outras pessoas da comunidade, iniciaram a pintura das paredes e outros reparos na escola. Após a reforma do pátio, a horta começou a ser montada. Também foi feita uma eleição na qual as crianças decidiram o nome do personagem que simbolizaria o “guardião” da horta. Foi escolhido o Verdito. Elas também participaram da plantação. O engajamento das crianças foi tanto que se formou uma equipe de guardiões oficias que se alterna em turnos para vigiar se tudo está crescendo direitinho.

Foram plantadas árvores frutíferas, verduras, legumes e temperos, que quando colhidos serão usados na merenda, além de floreiras que enfeitam a escola toda.  No dia 25 de abril aconteceu a inauguração oficial da horta vertical e foi o dia de portas abertas na escola com a apresentação de exposição, trabalhos de compostagem, música, dança, poesia, tudo dentro do conceito do despertar da consciência para alimentação saudável. “Podemos transformar o que era feio em bonito. Saber que para frente podemos sonhar outras coisas. Vocês vão sair desse projeto e vão entrar em outros pela vida. Se preparem professores. Isso faz com que a gente se alimente. Nos dá esperança. Professor por natureza é aquele que tem esperança. Não de esperar, mas do verbo esperançar. E entender que a gente vai conseguir. O que é melhor para o nosso filho e aluno, é melhor para toda comunidade” disse Marize no dia da inauguração.

O concurso Ciclo Verde ARLANXEO
O Concurso Ciclo Verde ARLANXEO é uma iniciativa da ARLANXEO Brasil, empresa produtora de borracha sintética, com o intuito de auxiliar o desenvolvimento socioambiental das comunidades que vivem próximas às suas áreas de atuação, por meio do apoio financeiro e técnico a projetos nas áreas de cultura, educação e ambiental e água. Desde 2010, 22 projetos contaram com o suporte financeiro e técnico, beneficiando diretamente mais de 4 mil crianças, jovens e adultos moradores das cidades Cabo de Santo Agostinho (PE), Duque de Caxias (RJ), Montenegro (RS), Nova Santa Rita (RS) e Triunfo (RS).


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